..

..

Já disse Nelson Rodrigues: "Futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes".

É por isso que pouco me importa se a "Águia", o nosso esquadrão grená e branco perdeu o lugar certo na primeira divisão do Campeonato Mineiro de 2012 com gol contra no último jogo. Afinal nem é o Patrocinense, é a Patrocinense ou quase CAP!

Mas é certo que o futebol local tem uma grande importância no contexto pela ordem: local, regional, estadual e até nacional. Eu explico! É muito bom ver o time da cidade melhor que os adversários regionais(Ituiutaba, Uberaba, URT, Mamoré, Araxá, etc...). Melhor ainda disputando a primeira divisão do Mineiro com Cruzeiro, Atlético e América, corre o risco de ser "Campeão do Interior", já pensou!, isso é "muito" importante pra cidade e pra quem está no meio ou se importa e leva a sério o esporte bretão além do que ele realmente é. Numa dessas aí, vai que o time termina bem entre os coadjuvantes do "Ruralito" e é premiado com uma vaga na Copa do Brasil ou nas séries B, C ou D do Campeonato Brasileiro. "A regra é clara", tá no regulamento que as vagas estaduais são ocupadas de acordo com certos critérios técnicos de inclusão e até exclusão. É aí que o futebol local passa a ser importante a nível nacional, com uma ampla exposição na mídia capitalizando toda a publicidade e agregando valor ao esporte como alicerce do desenvolvimento sócial, econômico e cultural.

Sou contra a aplicação de recursos públicos no futebol, sejam eles municipais, estaduais ou federais. É claro que a administração municipal deve contribuir com o time de futebol que divulga o nome da cidade, mas há outras prioridades de maior importância pra direcionar o orçamento. Além do que, política e futebol quando se misturam não dão bons resultados extra-campo. Não é de hoje que o poder público faz "tabelinha" com futebol local! O próprio CAP foi beneficiado com verba pública quando ascendeu a primeira divisão na década de 1990. Por acaso, encontrei uma informação que é registro fiel do apoio recebido da administração da época com recursos fundamentais para a saúde financeira da equipe. No site http://www.arquivodeclubes.com/mg/patrocinense.htm está escrito: "O Patrocinense (MG), de Patrocínio, cidade de apenas 70 mil habitantes, disputa a 2ª divisão e faz o melhor trabalho de base do interior mineiro. Tem quatro campos para treinamento, conta ($$$) com apoio total da prefeitura e dos produtores de café da região."

O time atual, rebatizado de Sociedade Esportiva Patrocinense, herdou(ou se apoderou) das cores do quase finado CAP e faz uso indevido do brasão do município como escudo. É muita falta de criatividade e pessoalmente acho de mau gosto, além de estar plagiando o time do Santo André. E não é por mera coincidência não, a filial imita a matriz assim como os filhos imitam os pais: mau gosto seria geneticamente transmissível? Ou seria o motivo e a justificativa da promíscua relação entre o time e o município(ou pelo menos parte dele).

Acredito que o apoio político ao futebol tem que se pautar pela ética. Transporte, saúde, alimentação, habitação e toda logística e infra-estrutura do município podem e devem ser colocados, até de forma preferencial, a disposição da equipe de futebol da mesma forma que estão acessíveis ao cidadão comum. Quem paga seus impostos tem direito a todo usufruto dos serviços públicos, inclusive de incentivos fiscais para quem apoia o futebol, investe em cultura, etc...

Infelizmente a atual relação entre o poder público municipal e o futebol está contaminada por interesses particulares, recheada de irregularidades e corre o risco de piorar. Cito a Lei da persistência de Waiterc Pastar: "Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam". Um péssimo exemplo da perversa relação entre o poder público e o futebol(negócio) é a atual situação da Vila Olímpica Ninho da Águia. Toda estrutura foi abandonada pelos homens que comandavam a política e o time sendo dilapidada pela ação de vândalos. A solução política não passou de uma placa com a promessa de implantação do Batalhão dos Bombeiros, pelas mãos do então prefeito por meios de recursos captados por nosso(s) deputado(s), com total apoio do governador da época. Um bem imóvel público com toda infra-estrutura colocada a disposição do futebol, é hoje um problema de saúde pública. Esta perversa relação política-futebol aos longo dos anos ainda lesou centenas, milhares de associados do clube que "pagaram ingresso" para assistir aquele jogo. A grande maioria que entrou em campo merece cartão vermelho do juíz e uma sonora vaia da arquibancada. Não é por falta material que o Ministério Público poderia entrar no tapetão para mudar o resultado deste jogo e punir aqueles que tiraram o time do Patrocinense de campo.

E como se não bastasse, o comentário na torcida é que houve uma "mala preta com 2 molas" no último jogo da Patrocinense em Nova Serrana, será? Fica no ar a questão: quem pagou, quem devolveu e quem recebeu.

Quando terminava concluir este post, vi por acaso um amigo da imprensa com um folder na mão com o escudo do CAP ilustrado com uma bela águia e com a inscrição: Projeto Novo CAP. Boa Sorte pra eles!

Se você gostou ou não gostou do que leu aqui e quem tiver alguma informação ou opinião sobre o assunto, pode enviar e-mail para: observat@observat.com.br Garanto sigilo absoluto, caso não queira ser identificado.

..VOLTAR

VEJA OUTROS LINKS

.

© Copyright 1999-2011 OBSERVATÓRIO ON LINE - Marcelino Marques de Araújo
( 34 ) 9176 - 2228 TIM / / 9803 - 2122 VIVO / / 3831 - 4875 FIXO E-Mail: observat@observat.com.br - / - MSN: marcelinoobs@hotmail.com - / - Skype: marcelinoobs
All Rights Reserved.